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TOP 10 | INTRODUÇÕES MAIS FODAS DO METAL by Luiz Carlos

– Luiz Carlos Freitas

Não consegui elaborar uma descrição minimamente decente, mas saibam que esse é um post sobre as dez introduções de música mais fodonas de todos os tempos (na minha opinião, é claro). Leiam, contestem, façam suas próprias listas nos comentários, o que seja. O importante é louvar o [aperta os ovos e cospe no chão antes de falar] Deus Metal e bangear.

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– AS 10 INTRODUÇÕES MAIS FODAS DO METAL –
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Iron Maiden (Iron Maiden, 1980) by Bernardo Brum
agosto 29, 2010, 6:37 am
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por Bernardo Brum

Antes de virar roupa de grife até entre pessoas nem um pouco descoladas que pouco tem a ver com rock and roll e heavy metal, antes de virar uma mania mundial com fãs de Japão a Brasil, antes de fazer de cada lançamento de disco um happening entre mídia e fãs, de qualquer grande hino, do vocalista símbolo Bruce Dickinson, da possibilidade de fazer um show só com grandes hits… Existiu o Iron Maiden com Paul Di’anno, Dennis Straton e Clive Burr, que com seus riffs curtos e objetivos, garra e gritaria quase punks e uma abordagem lírica que ia do misticismo e ocultismo a letras violentas e urgentes, levou a um passo a frente a mistura de peso e velocidade do Judas Priest com uma agressividade extra  que estabeleceu a base conceitual e estética de toda a NWBOHM (A nova onda do Heavy Metal Britânico, a maior explosão de bandas inglesas para o mundo desde os anos 60) e definiu, para o grande público, o que era esse estilo que teve seu nome gerado a partir de um verso de Born To Be Wild do Steppenwolf.

Visto por grande parte dos detratores hoje em dia como uma banda que não consegue articular mais com originalidade seu trio de guitarristas, sua cozinha “a galope” e seu vocal-alerta-de-ataque-aéreo, até se esquece que, há 30 anos atrás, Di’anno e o chefão Steve Harris progressivamente arrombaram cada porta que se entrepunha entre eles e o mercado mundial com canções como Prowler e sua letra urbana, sexy e perigosa (resquícios dos anos setenta, sem dúvida), a delinqüente Running Free e o psicótico hino Iron Maiden: músicas estas que, com todo o seu punch e urgência juvenil, ainda conseguem impressionar atualmente, mesmo quando tocada por um bando de tiozinhos beirando os sessenta anos.

Misturas sonoras e líricas entre os  luminares  Black Sabbath, Led Zeppelin e UFO que serviram para criar um conceito que capturaria toda uma geração dentro de um conceito e fariam surgir os famosos (ou famigerados) headbangers, fãs cabeludos e fervorosos por seu gênero preferido, que entre a esculhambação underground do punk e as orgias glam e disco, lutou contra a mordaça da “donzela de ferro” Margareth Tatcher com temas no mínimo inapropriados para a época: da expressionista capa com o Eddie original (baseado na foto de um cadáver que o artista Derek Riggs tinha visto em uma reportagem sobre o Vietnã)  ao som, passando pelas letras, o alvorecer do Iron Maiden em disco era, simplesmente, inapropriado. Estigma das grandes bandas de heavy metal: às vezes a abordagem conceitual oferecida por um novo produto pop ainda é muito para as nossas cabeças.

Herança regada dos anos setenta, Steve Harris já se arriscava em temas mais longos e complexos, como a rasgada e soturna heavy-ballad Remember Tomorrow e a longa Phantom of The Opera, baseado no romance homônimo; sete minutos que poderiam soar enfadonhos, ainda mais pelo fator de ser composta por um bando de jovens novatos; mas que jamais perde em velocidade e peso, contando com ótimas linhas vocais e um solo pra lá de habilidoso. Esta seria  a tônica que o Iron Maiden, anos mais tarde, seguiria quase que exclusivamente. O metal algo setentista algo visionário seria diluído, cada vez mais, em bases progressivas que esticariam enormemente a duração dos discos da banda, onde poderíamos  testemunhar toda a habilidade que cada um dos seis instrumentistas possui…

Mesmo soando radicalmente diferente do que a banda se tornou hoje em dia, além de fundamental para a compreensão e apreciação de todo um gênero, o debut do Iron Maiden é nitroglicerina, digna da efervescência cultural que só certos contextos socio-políticos conseguiram gerar; para uma década com censura de ferro e com grandes problemas sociais, uma banda com uma abordagem rítmica inovadora tão áspera e casca-grossa quanto veloz e técnica, sem medo de falar sobre ocultismo, voyeurismo e condutas imorais na primeira pessoa. Iron Maiden, o disco, é um grito de revolta consta o establishment que ainda soa persistente três gerações depois.

4/5

Ficha técnica: Iron Maiden (Iron Maiden) – 1980, Reino Unido – Gravadora: EMI – Músicos: Paul Di’anno (vocal), Dave Murray e Dennis Straton (guitarras e backing vocals), Steve Harris (baixo e backing bocal), Clive Burr (bateria).

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Tracklist:

  1. Prowler
  2. Remember Tomorrow
  3. Running Free
  4. Phantom of The Opera
  5. Transylvania
  6. Stranger World
  7. Charlotte The Harlot
  8. Iron Maiden

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