Tequila Radio


The Velvet Underground & Nico (The Velvet Underground, 1967) by camilodiniz
agosto 2, 2011, 9:02 pm
Filed under: Comentários | Tags: , , , , , , , ,

– por Camilo Diniz

1967, Califórnia. Explosão do verão de amor hippie: casais trajando berrantes roupas coloridas se abraçam e cantam os ideais de paz, amor, harmonia e solidariedade. Em Nova York, por outro lado, um quarteto de criaturas bizarras vestidas de preto e com óculos escuros mesmo durante a noite, acompanhados de uma modelo alemã de sotaque carregadíssimo e voz sepulcral, conhecida pelos inúmeros relacionamentos com estrelas do Rock declamam o submundo, a perversão, a sujeira das sarjetas, a imundície do ser humano, tudo isso sob o patrocínio e proteção de Andy Warhol, artista da bizarrice que, insatisfeito com as colagens de sopa de ervilha, resolveu se enveredar pela produção musical e, por acaso, encontrou a quadrilha de músicos – ainda sem a participação de Nico. – chocando a platéia de clubes da Big Apple com sua sonoridade agressiva e fora dos padrões, e suas canções polêmicas, tratando de assuntos até então negligenciados pela música, ainda engatinhando em termos de maturidade, desde que Bob Dylan surgira para provocar uma verdadeira revolução na maneira de escrever letras.

O Velvet Underground, nome tirado de uma publicação pornográfica, caracterizava-se também pela diversidade de nacionalidades, acolhendo em seu meio uma alemã e um galês, e pelas peculiaridades de seus membros, a exemplo da andrógina baterista Maureen “Moe” Tucker que, além de mulher, o que era raríssimo na época em que as baquetas eram dominadas apenas por homens, como Keith Moon, tocava seu pequeno e incomum kit em pé – sendo copiada por Bobby Gillespie, à época que foi baterista do The Jesus And Mary Chain – antecipando a máxima “do it yourself”, fundamental para o desenvolvimento do Punk Rock anos mais tarde; e pelas insanas experimentações musicais de John Cale, que incluíam uso de viola amplificada, órgãos tocados em volume máximo e afinações alternativas.

Somar a excentricidade da banda com a loucura artística de Andy Warhol, o que incluía visitas e festas na Factory, estúdio do artista, freqüentado por um público que ia de estrelas de cinema a travestis e garotos de programa criou o ambiente perfeito para a criação de uma obra prima, o The Velvet Underground & Nico (cujo nome foi uma reação do grupo à imposição feita em incluí-la como vocalista), que vendeu pouco, mas deixou um legado sem precedentes na história da música.

O álbum já é especial, denso e profundo na capa, uma simples banana desenhada por Warhol, em contraposição às capas multicoloridas e psicodélicas que estavam em alta. Em letras miúdas, no alto da banana estava o convite, talvez ordem: “Peel Slowly And See”. Aceita a sugestão, o ouvinte se deparava com uma banana cor de carne, clara alusão ao falo, o que de pronto já mostra a dualidade do disco: minimalista e ousado.

Tal dualidade reflete-se no clima diverso encontrado nas onze faixas do disco. Nunca um mesmo álbum mesclou com tanta maestria leveza, como em I’ll Be Your Mirror e Sunday Morning, balada pontuada pela celesta de John Cale; com digressões violentas e experimentais, a exemplo de European Son. Também merece especial destaque a já mencionada inversão do senso poético promovido pela trupe novaiorquina, tendo sido a banda a primeira a tratar de temas do submundo, como tráfico e vício em drogas, prostituição, transexualidade e sadomasoquismo.

Não é difícil imaginar o choque que o álbum provocou, uma vez que trazia à tona uma sonoridade e poesia completamente contrária ao padrão da época, o que talvez explique a incompreensão do disco que, apesar de ter exercido influência notável em figuras como David Bowie, Iggy Pop, New York Dolls, Joy Division, Nirvana, Sonic Youth e The Strokes, só foi redescoberto cerca de quinze anos após seu lançamento.

Dentre as músicas do álbum, destacamos I’m Waiting For The Man, que narra a epopéia de um viciado em heroína para conseguir a droga; Femme Fatale, cantada por Nico, e supostamente dedicada a Edie Sedgwick; Venus In Furs, exaltação do sadomasoquismo, baseada na obra homônima de Sacher-Masoch; All Tomorrow’s Parties, canção sombria e misteriosa, cujo sentido talvez seja tão incerto quanto à pergunta que embasa a sua letra: “E que roupas a pobre garota usará em todas as festas de amanhã?” e Heroin, certamente a mais sincera música sobre o vício em drogas, expondo-o de forma real, com suas dores e delícias, como no trecho: “Eu fiz a grande escolha, eu vou tentar destruir a minha vida (…) Heroína é minha esposa e minha vida”.

Costuma-se dizer que os Rolling Stones eram a antítese dos Beatles, pela sua postura rebelde, contrária à atitude, de certa forma, conformista do quarteto de Liverpool. Talvez o Velvet Underground, mais que antítese, seja a completa destruição dos parâmetros do rock de inspiração romântica e idealizada, a nível literário e prático. Uma declaração de amor, não a musas cândidas, mas ao submundo das esquinas de New York.

Repleto de peculiaridades, como guitarras afinadas em uma só nota, poesia maldita e composições controversas, The Velvet Underground & Nico, mais que um simples disco, é uma obra de arte, fracasso retumbante de vendas, mas sem sombra de dúvidas um dos registros definitivos da história do Rock e da música em geral.

5/5

_
Ficha Técnica:

The Velvet Underground & Nico (The Velvet Underground) – 1967/EUA – Integrantes: Nico (vocal), Lou Reed (vocal e guitarra), John Cale (viola elétrica, piano, celesta), Sterling Morrison (guitarra, contra-baixo elétrico e vocais de apoio), Maureen Tucker (percussão)

_
Tracklist:

– Lado A:

1. Sunday Morning
2. I’m Waiting for the Man
3. Femme Fatale
4. Venus in Furs
5. Run Run Run
6. All Tomorrow’s Parties

– Lado B:

1. Heroin
2. There She Goes Again
3. I’ll Be Your Mirror
4. The Black Angel’s Death Song
5. European Son

_
Faixa Recomendada:

Anúncios


Blizzard of Ozz (Ozzy Osbourne, 1980) by Luiz Carlos
julho 1, 2011, 7:29 pm
Filed under: Comentários | Tags: , , , , , ,


– Luiz Carlos Freitas

No início dos 80’s, por conta do consumo desenfreado de álcool e drogas por parte de Ozzy Osbourne, chega ao fim a parceria de quase uma década do vocalista com o Black Sabbath. Quase acabado, numa jornada cada vez mais destrutiva, ele era visto como mais um sem futuro algum. E isso fazia todo o sentido do mundo se avaliarmos o estado no qual ele se encontrava. Mas, contra toda a falta de perspectiva, o cantor tentou se reerguer e, orientado por Sharon Osbourne, sua esposa e empresária (ocupa ambos os cargos até hoje), lutou para montar uma banda nova, bem diferente do Black Sabbath e totalmente a seu modo. Reunindo Bob Daisley, Lee Kerslake e Don Airey (baixo, bateria e teclado, respectivamente), formou o Blizzard of Ozz. Apesar do nome oficial ser esse, o grupo era sempre referenciado como homônimo do vocalista, o que acabou sendo assimilado. Pouco depois, se juntaria a eles o jovem Randy Rhoads (que viria a falecer dois anos mais tarde num acidente de avião durante uma turnê), ex-guitarrista do Quiet Riot e que, com apenas 23 anos, já impressionava pelo seu virtuosismo e técnica com o instrumento. Banda formada, precisavam trabalhar no primeiro álbum. E assim, trancados num estúdio por cerca de 30 dias, conceberam o Blizzard of Ozz.

A faixa que abre o álbum, ‘I Don’t Know’, é a primeira de várias composições confessionais que permearão a carreira solo do Ozzy (cada álbum tem pelo menos uma delas). Embalado por um dos riff’s mais clássicos de Randy Rhoads, o desabafo nada lamentoso de quem sabia que estaria rumando por uma estrada completamente imprevisível e esperadamente difícil e que não ligava nem um pouco para isso (“Deixei tudo para trás / Todo mundo passa por mudanças / Procurando encontrar a verdade / Não olhe para mim buscando respostas / Não me pergunte / Eu não sei”) representa os primeiros estágios do luto que o cantor faria questão de celebrar aqui – mesmo que de forma ainda velada – negação e revolta (“Não é como você joga o jogo / É se você ganha ou perde / Você pode escolher”).

‘Crazy Train’, segunda faixa do disco, é o primeiro grande hino do rock a surgir sob tutela solo de Ozzy Osbourne (mas é desses obrigatórios que todo headbanger que se preze já nasce sabendo – até aquele guri de 12 anos que começou a ouvir música ontem e acha Linkin Park a melhor banda do mundo), seguida por ‘Goodbye to Romance’, primeira balada do madman e o fechamento do ciclo do luto, abarcando os estágios restantes: barganha (“O bobo da corte com uma coroa quebrada / Garanto que não serei eu desta vez / Quem irá amar em vão”), depressão (“Todos estão se divertindo / Menos eu, sou o único solitário / Vivo na vergonha”) e, por fim, aceitação (“Adeus ao romance / Adeus aos amigos / Adeus para todo o passado / Acho que nos encontraremos / Nos encontraremos no fim / E o tempo parece bom / E eu acho que o sol brilhará novamente”). O vocal arrastado de Ozzy (que não precisa de muito para parecer “sofrido”) e a melodia da guitarra de Rhoads fecham uma das mais belas canções do rock.

A quarta faixa, ‘Dee’, um breve solo acústico de Rhoads de menos de um minuto dedicado à sua mãe, é quase um recorte de notas de ‘Goodbye to Romance’ e canaliza a primeira grande porrada do álbum, emendando o final suave no violão com o riff poderoso e agressivo de ‘Suicide Solution’, provavelmente a música mais polêmica de toda a história do rock.

A música, que era dedicada a Bon Scott, vocalista do AC/DC que morrera no início daquele ano por uma fatalidade em consequência do consumo excessivo de álcool (e também ao próprio Ozzy, que já sofria com seu alcoolismo), numa tradução literal “Solução Suicida”, onde o termo “solução” significa “mistura”, “fórmula”, abordava de modo sarcástico os efeitos nocivos do álcool, a tal mistura que levaria quem o consumisse à morte. Porém, quando um jovem de 18 anos se suicidou após – supostamente – ter ouvido a música, os EUA pararam para acompanhar a cruzada de Ozzy nos tribuinais para provar que a música não colocava o suicídio como uma “solução” dos problemas.

O cantor foi absolvido da acusação de “incentivar comportamento auto-destrutivo”, mas não escapou de ser processado novamente e pelo mesmo motivo (dessa vez, outro adolescente que atirou com uma espingarda na própria cabeça). Acolhido pelo princípio constitucional da liberdade de expressão, Ozzy escapa mais uma vez, contudo, os movimentos conservadores “pró-família” não deixariam de perseguí-lo por muito tempo ainda, o que, de certo modo, até contribuiu para criação de uma aura transgressora que só encantaria mais os fãs (e só seria superada com aquela parada lá do morcego… mas isso é outra história).

Contudo, Blizzard of Ozz tem algo ainda mais poderoso a oferecer que suas polêmicas envolvendo processos ou o Black Sabbath: ‘Mr. Crowley’. Com uma introdução em órgão por Don Airey emendada com os riff’s de Rhoads, o famoso ocultista Aleister Crowley (aquele venerado por Jimmy Page e Raul Seixas – só pra lembrar de alguns) é indagado por Ozzy Osbourne, este intercalado por três distintos solos de guitarra que são facilmente os mais memoráveis da curta carreira de Randy Rhoads e, vistos em conjunto, um dos mais brilhantes momentos de toda a história da música (e dizendo isso sem medo de cair em exageros). Muito mais que uma música, um monumento da humanidade.

A irreverente ‘No Bone Movies’ fala sobre um homem viciado em masturbação (!) e é uma daquelas molecagens que o Ozzy jamais poderia fazer na sua antiga banda. Não que houvesse um cerceamento intelectual por parte de Iommi e cia. Pelo contrário, o Black Sabbath ganhou notoriedade por sua música transgressora, que (literalmente) assombrava o meio à época. Entretanto, essa proposta mais sombria e obscura da banda não combinava com o senso de rebeldia “arteiro” de Ozzy Osbourne, que queria se sentir no direito de ser explícito (“Inspiração que é triste por não poder ser detida / Não consigo perder o hábito e a obsessão pelo obsceno / Um cara se masturbando com a mão / Uma paixão venenosa, uma glândula vibrante”) e buscar uma sonoridade que muito se assemelhava às bandas de Hard Rock farofa que começavam a surgir naquele começo de década, como Poison ou Mötley Crüe

Curiosamente, a faixa seguinte, ‘Revelation (Mother Earth)’, é uma espécie de volta ao passado com o Black Sabbath, da letra sombria (“Eu tive uma visão / Eu vi o mundo queimar / E os mares ficaram vermelhos / O sol havia caido, a última cortina / Na terra dos mortos”) à musicalidade, com riffs pesados e um solo extremamente rápido ao final que lembram muito o trabalho de Tony Iommi em ‘Symptom of the Universe’ (música do Sabotage, sexto álbum do Sabbath).  Todavia, os riff’s de Rhoads e o teclado de Airey (que constrói uma melodia semelhante às trilhas de antigos filmes de terror) conferem à música um clima muito mais sombrio à medida que se aproxima do final, onde a bateria de Kerslake explode e já inicia ‘Steal Away (The Night)’, que encerra  o disco de modo rápido, certeiro e, como não podia deixar de ser, carregado desse senso de liberdade que Ozzy agora queria atirar para todos os lados. Liberdade mais que merecida para o verdadeiro merecedor do título de “Pai do Heavy Metal” e um dos maiores gênios malditos de todos os tempos.

“Correntes quebradas e regras violadas
Deixe a rebelião comandar esta noite”

5/5

_
Blizzard of Ozz (Ozzy Osbourne) – 1980 – Ozzy Osbourne (vocal), Randy Rhoads (guitarra), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria), Don Airey (teclado)

_
Tracklist:

1. I Don’t Know
2. Crazy Train
3. Goodbye To Romance
4. Dee
5. Suicide Solution
6. Mr. Crowley
7. No Bone Movie
8. Revelation (Mother Earth)
9. Steal Away (The Night)

_
Faixa Recomendada:



Pronounced’ Lêh-nérd ‘Skin-‘nérd (Lynyrd Skynyrd, 1973) by Luiz Carlos


– por Luiz Carlos Freitas

Tudo começou no início dos anos 70, com um grupo de jovens sulistas, muita paixão pela música e vontade de tocar, o vale do Mississipi como inspiração, talento sobrando e absolutamente dinheiro nenhum nos bolsos. Se não fosse a delimitação geográfica acima, essa descrição serviria para 80% (ou mais, ou menos – só um chutão aqui) das bandas de rock da história. Contudo,  a delimitação se faz mais que necessária, uma vez que a presença do Lynyrd Skynyrd no cenário musical não só esgotou vendagens de discos ou arrebatou paradas, mas criou um novo estilo: o Southern Rock.

Na verdade, o estilo começara a dar as caras na década de 60, com os sujeitos  do The Allman Brothers Band. Suas composições cheias de referências à típica vida sulista e as melodias que iam do Blues ao Country, sempre priorizando os vocais e as guitarras elétricas, enfocando na força dos slides, deram as bases para que mais tarde o Lynyrd Skynyrd chegasse enfim, após um bom tempo tocando em espeluncas de beira de estrada pelo Texas, a lançar seu primeiro álbum, o Pronounced’ Lêh-nérd ‘Skin-‘nérd (como várias outras bandas, o álbum leva o nome do grupo, com a diferença de ser auto-explicativo quanto à pronúncia confusa do mesmo).

O disco de apenas oito faixas, apresentava força, criatividade e apuro técnico impensados para uma banda do estilo até então, ainda mais levando em conta a relativa inexperiência dos realizadores. Abrindo com “I Ain’t The One”, o álbum já começa com o riff poderoso de Allen Collins e uma sequência de dois solos capitaneados por Gary Rossington e Steve Gaines, sendo seguida por “Tuesday’s Gone”, a primeira balada lançada pela banda e, até hoje, uma das mais lembradas pelos fãs (geralmente, uma das últimas músicas executadas nos shows).

A música, carregada no slide da guitarra de Rossington e conduzido por um Ronnie Van Zant singelo, de tom baixo e nasal, é como um desabafo entre dois amigos em uma mesa de bar, discutindo sobre a mulher que partira (a terça-feira que se foi). A passagem das guitarras ao piano e, após, a um trecho orquestrado que culmina no solo  a três guitarras do final é quase um processo simbiótico, como se músicos e instrumentos se fundissem em um só. Certamente, um dos mais elaborados e completos feitos da formação clássica da banda.

Seguindo, temos “Gimme Three Steps”, que divide com a sétima faixa, “Poison Whiskey”, além do peso dos riffs iniciais e  dos solos rápidos, as composições que remetem aos tempos de início da banda e seus problemas com o consumo excessivo de álcool. Legítimos exemplares do rock and roll, a primeira e mais extrovertida, sobre um cara que, após encher a cara, dá em cima da mulher do xerife em um bar (e, num último recurso, pede três passos até a porta antes do tiro fatal), a segunda relata uma experiência de quase morte após uma noite regada a whiskey (a “Bebida do Diabo”).

No dedilhado de Allen Collins, inicia a quarta faixa, “Simple Man”, mais um dos hinos imortalizados pelo Lynyrd Skynyrd. A letra confessional de Ronnie Van Zant (autor de todas as músicas do álbum), apesar de não recorrer a excessos, não faz questão de ser sutil. É tão simples quanto um discurso de pai a filho, um desabafo de irmão ou um lamento de amigo, tal como se propõe a ser. Do solo à bateria agressiva, a estrutura da música é completada e se firma como uma das melhores músicas da banda.

Por fim, após duas músicas menos lembradas, “Things Goin’ On” e “Mississipi Kid” (que lembram bastante a sonoridade do Idlewild South, álbum de 1970 dos The Allman Brothers Band, as “raízes” da banda), a faixa que encerra o álbum, “Free Bird”. Mas esperem, não vou ficar rasgando os elogios que tradicionalmente são feitos à música, pois além de cansativos e desnecessários, soariam mais redundantes ainda se vindos de quem a considera a música de sua vida.

Sua letra, tão simples que parece ter sido escrita em poucos minutos (talvez rabiscada por Ronnie no intervalo entre um show e outro) e que sintetiza uma dualidade quase barroca que permearia praticamente todas as composições do Lynyrd Skynyrd, o eterno conflito entre o desejo de liberdade e a necessidade de manter laços, seja no amor, com a família, amigos, etc, embalada pela longa introdução no slide (quase o mesmo de “Tuesday’s Gone”) e a condução sem pressa no piano até o fantástico e furioso ‘duelo’ (chamar de ‘solo’ apenas é muito pouco) entre as três guitarras, consagraram “Free Bird” como o hino supremo da banda e uma das maiores realizações da história do rock e da música mundial.

A partir daqui, aqueles jovens músicos que, até alguns meses antes, tocavam em bares de motoqueiros por alguns trocados e doses de whiskey barato com água, já lotavam estádios, vendiam milhões, monopolizavam os topos das paradas nas rádios com uma inconcebível música de quase 10 minutos e abriam apresentações para monstros sagrados como The Who.

Já começaram como deuses.
.

5/5

Pronounced’ Lêh-nérd ‘Skin-‘nérd (Lynyrd Skynyrd) – 1973, EUA – Gravadora: MCA Records – Músicos: Ronnie Van Zant (vocal), Allen Collins (Guitarra), Gary Rossington(Guitarra), Steve Gaines (Guitarra), Leon Wilkeson (Baixo), Billy Powell (Piano/Teclado), Artimus Pyle (Bateria).

_
Tracklist:

1. I Ain’t the One
2. Tuesday’s Gone
3. Gimme Three Steps
4. Simple Man
5. Things Goin’ On
6. Mississippi Kid
7. Poison Whiskey
8. Free Bird

_
Faixa recomendada: