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TOP 10 | INTRODUÇÕES MAIS FODAS DO METAL by Luiz Carlos

– Luiz Carlos Freitas

Não consegui elaborar uma descrição minimamente decente, mas saibam que esse é um post sobre as dez introduções de música mais fodonas de todos os tempos (na minha opinião, é claro). Leiam, contestem, façam suas próprias listas nos comentários, o que seja. O importante é louvar o [aperta os ovos e cospe no chão antes de falar] Deus Metal e bangear.

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– AS 10 INTRODUÇÕES MAIS FODAS DO METAL –
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Blizzard of Ozz (Ozzy Osbourne, 1980) by Luiz Carlos
julho 1, 2011, 7:29 pm
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– Luiz Carlos Freitas

No início dos 80’s, por conta do consumo desenfreado de álcool e drogas por parte de Ozzy Osbourne, chega ao fim a parceria de quase uma década do vocalista com o Black Sabbath. Quase acabado, numa jornada cada vez mais destrutiva, ele era visto como mais um sem futuro algum. E isso fazia todo o sentido do mundo se avaliarmos o estado no qual ele se encontrava. Mas, contra toda a falta de perspectiva, o cantor tentou se reerguer e, orientado por Sharon Osbourne, sua esposa e empresária (ocupa ambos os cargos até hoje), lutou para montar uma banda nova, bem diferente do Black Sabbath e totalmente a seu modo. Reunindo Bob Daisley, Lee Kerslake e Don Airey (baixo, bateria e teclado, respectivamente), formou o Blizzard of Ozz. Apesar do nome oficial ser esse, o grupo era sempre referenciado como homônimo do vocalista, o que acabou sendo assimilado. Pouco depois, se juntaria a eles o jovem Randy Rhoads (que viria a falecer dois anos mais tarde num acidente de avião durante uma turnê), ex-guitarrista do Quiet Riot e que, com apenas 23 anos, já impressionava pelo seu virtuosismo e técnica com o instrumento. Banda formada, precisavam trabalhar no primeiro álbum. E assim, trancados num estúdio por cerca de 30 dias, conceberam o Blizzard of Ozz.

A faixa que abre o álbum, ‘I Don’t Know’, é a primeira de várias composições confessionais que permearão a carreira solo do Ozzy (cada álbum tem pelo menos uma delas). Embalado por um dos riff’s mais clássicos de Randy Rhoads, o desabafo nada lamentoso de quem sabia que estaria rumando por uma estrada completamente imprevisível e esperadamente difícil e que não ligava nem um pouco para isso (“Deixei tudo para trás / Todo mundo passa por mudanças / Procurando encontrar a verdade / Não olhe para mim buscando respostas / Não me pergunte / Eu não sei”) representa os primeiros estágios do luto que o cantor faria questão de celebrar aqui – mesmo que de forma ainda velada – negação e revolta (“Não é como você joga o jogo / É se você ganha ou perde / Você pode escolher”).

‘Crazy Train’, segunda faixa do disco, é o primeiro grande hino do rock a surgir sob tutela solo de Ozzy Osbourne (mas é desses obrigatórios que todo headbanger que se preze já nasce sabendo – até aquele guri de 12 anos que começou a ouvir música ontem e acha Linkin Park a melhor banda do mundo), seguida por ‘Goodbye to Romance’, primeira balada do madman e o fechamento do ciclo do luto, abarcando os estágios restantes: barganha (“O bobo da corte com uma coroa quebrada / Garanto que não serei eu desta vez / Quem irá amar em vão”), depressão (“Todos estão se divertindo / Menos eu, sou o único solitário / Vivo na vergonha”) e, por fim, aceitação (“Adeus ao romance / Adeus aos amigos / Adeus para todo o passado / Acho que nos encontraremos / Nos encontraremos no fim / E o tempo parece bom / E eu acho que o sol brilhará novamente”). O vocal arrastado de Ozzy (que não precisa de muito para parecer “sofrido”) e a melodia da guitarra de Rhoads fecham uma das mais belas canções do rock.

A quarta faixa, ‘Dee’, um breve solo acústico de Rhoads de menos de um minuto dedicado à sua mãe, é quase um recorte de notas de ‘Goodbye to Romance’ e canaliza a primeira grande porrada do álbum, emendando o final suave no violão com o riff poderoso e agressivo de ‘Suicide Solution’, provavelmente a música mais polêmica de toda a história do rock.

A música, que era dedicada a Bon Scott, vocalista do AC/DC que morrera no início daquele ano por uma fatalidade em consequência do consumo excessivo de álcool (e também ao próprio Ozzy, que já sofria com seu alcoolismo), numa tradução literal “Solução Suicida”, onde o termo “solução” significa “mistura”, “fórmula”, abordava de modo sarcástico os efeitos nocivos do álcool, a tal mistura que levaria quem o consumisse à morte. Porém, quando um jovem de 18 anos se suicidou após – supostamente – ter ouvido a música, os EUA pararam para acompanhar a cruzada de Ozzy nos tribuinais para provar que a música não colocava o suicídio como uma “solução” dos problemas.

O cantor foi absolvido da acusação de “incentivar comportamento auto-destrutivo”, mas não escapou de ser processado novamente e pelo mesmo motivo (dessa vez, outro adolescente que atirou com uma espingarda na própria cabeça). Acolhido pelo princípio constitucional da liberdade de expressão, Ozzy escapa mais uma vez, contudo, os movimentos conservadores “pró-família” não deixariam de perseguí-lo por muito tempo ainda, o que, de certo modo, até contribuiu para criação de uma aura transgressora que só encantaria mais os fãs (e só seria superada com aquela parada lá do morcego… mas isso é outra história).

Contudo, Blizzard of Ozz tem algo ainda mais poderoso a oferecer que suas polêmicas envolvendo processos ou o Black Sabbath: ‘Mr. Crowley’. Com uma introdução em órgão por Don Airey emendada com os riff’s de Rhoads, o famoso ocultista Aleister Crowley (aquele venerado por Jimmy Page e Raul Seixas – só pra lembrar de alguns) é indagado por Ozzy Osbourne, este intercalado por três distintos solos de guitarra que são facilmente os mais memoráveis da curta carreira de Randy Rhoads e, vistos em conjunto, um dos mais brilhantes momentos de toda a história da música (e dizendo isso sem medo de cair em exageros). Muito mais que uma música, um monumento da humanidade.

A irreverente ‘No Bone Movies’ fala sobre um homem viciado em masturbação (!) e é uma daquelas molecagens que o Ozzy jamais poderia fazer na sua antiga banda. Não que houvesse um cerceamento intelectual por parte de Iommi e cia. Pelo contrário, o Black Sabbath ganhou notoriedade por sua música transgressora, que (literalmente) assombrava o meio à época. Entretanto, essa proposta mais sombria e obscura da banda não combinava com o senso de rebeldia “arteiro” de Ozzy Osbourne, que queria se sentir no direito de ser explícito (“Inspiração que é triste por não poder ser detida / Não consigo perder o hábito e a obsessão pelo obsceno / Um cara se masturbando com a mão / Uma paixão venenosa, uma glândula vibrante”) e buscar uma sonoridade que muito se assemelhava às bandas de Hard Rock farofa que começavam a surgir naquele começo de década, como Poison ou Mötley Crüe

Curiosamente, a faixa seguinte, ‘Revelation (Mother Earth)’, é uma espécie de volta ao passado com o Black Sabbath, da letra sombria (“Eu tive uma visão / Eu vi o mundo queimar / E os mares ficaram vermelhos / O sol havia caido, a última cortina / Na terra dos mortos”) à musicalidade, com riffs pesados e um solo extremamente rápido ao final que lembram muito o trabalho de Tony Iommi em ‘Symptom of the Universe’ (música do Sabotage, sexto álbum do Sabbath).  Todavia, os riff’s de Rhoads e o teclado de Airey (que constrói uma melodia semelhante às trilhas de antigos filmes de terror) conferem à música um clima muito mais sombrio à medida que se aproxima do final, onde a bateria de Kerslake explode e já inicia ‘Steal Away (The Night)’, que encerra  o disco de modo rápido, certeiro e, como não podia deixar de ser, carregado desse senso de liberdade que Ozzy agora queria atirar para todos os lados. Liberdade mais que merecida para o verdadeiro merecedor do título de “Pai do Heavy Metal” e um dos maiores gênios malditos de todos os tempos.

“Correntes quebradas e regras violadas
Deixe a rebelião comandar esta noite”

5/5

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Blizzard of Ozz (Ozzy Osbourne) – 1980 – Ozzy Osbourne (vocal), Randy Rhoads (guitarra), Bob Daisley (baixo), Lee Kerslake (bateria), Don Airey (teclado)

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Tracklist:

1. I Don’t Know
2. Crazy Train
3. Goodbye To Romance
4. Dee
5. Suicide Solution
6. Mr. Crowley
7. No Bone Movie
8. Revelation (Mother Earth)
9. Steal Away (The Night)

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