Tequila Radio


_ Sobre

– por Fábio Visnadi

Da vontade de escrever sobre música e abordar esse mesmo assunto de uma forma inteligente e argumentativa surgiu o Tequila Radio. Composto por uma equipe disposta a dissertar sobre os mais variados artistas, o blog procurará suprir a falta de conteúdo e a lacuna retórica dos demais sites do gênero pela internet. Ao aliar o bom senso às experiências musicais pessoais, tentaremos passar para o leitor por que determinados álbuns são tão estimados enquanto outros pecam em alguns pontos.

Mas por que álbuns e não músicas? Bem, os álbuns são para o artista popular o que é um livro para um escritor ou uma peça para um dramaturgo. Guardadas as devidas proporções, o álbum é a expressão artística máxima de um músico. Desde o encarte até a ordem das músicas, tudo obedece uma razão para estar lá. Por isso a sensação de ouvirmos uma coletânea é de estarmos nos deparando com uma salada de frutas sonora.

“Isso é verdade? Eu nunca reparei nisso.” Sim. Desde o “In the Wee Small Hours of Morning” de Sinatra, a maioria dos álbuns segue mais ou menos essa ideia. No caso em questão, o cantor norte-americano decidiu reunir certas canções um uma ordem específica, com um tema em comum e um certo padrão musical. Por isso o álbum funciona melhor como um todo e as músicas não destoam entre si.

Mesmo Sinatra tendo introduzido esse conceito, quem realmente elevou exponencialmente as capacidades estéticas do álbum foram os Beatles e os Beach Boys, que enxergaram esse formato preconizado pelo Sinatra como a grande expressão de arte na música pop.  Rain Dogs do Tom Waits por exemplo, ou o Doolittle dos Pixies, tem boas canções independentes entre si, mas que ganham mais valor se vistas como um conjunto de canções sobre um determinado tema.

Por isso é até de certo modo redundante falar em álbuns conceituais, já que quase todo álbum é conceitual. Salvo vistosas exceções, como James Brown ou outros tantos artistas da música pop que procuraram promover sua arte através de músicas soltas, sendo mais proveitoso ouvir coletâneas desses artistas do que seus álbuns para acompanharem os singles.

No entanto, como analisar diferentes artistas, Tom Waits ou Public Enemy, Kraftwerk ou Miles Davis com os mesmos critérios? Simplesmente não se analisa. Assim como não se compara um artista romântico com um pós-moderno, na arte cada um tem seu peso e sua medida. Buscaremos aqui no Tequila Radio avaliar cada álbum de acordo com sua proposta, não perdendo é claro, o rigor ou senso crítico, se afastando dessa tendência atual do eclético que ouve de tudo um pouco, mas na verdade não ouve nada. Procuraremos dar atenção ao melhor de cada gênero, mostrando as infinitas possibilidades  criativas que a música pode proporcionar.

No final, é isso que a música é, experiências não só auditivas, tampouco algo feito “para agradar o ouvido”, mas sim sensitivas. Por isso a cada execução de um álbum diferente, o que se procura na verdade é uma experiência diferente.


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